Entrevista com Tuinho Schwartz da Focus Films

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Artur Schwartz mais conhecido como Tuinho, é Produtor desde 1980, desde lá vêm trabalhando em diversas funções em filmes de curta, média e longa metragem, seja em produções nacionais ou internacionais, e filmes publicitários. Nascido no Rio de Janeiro, começou como estagiário de produção e assistente adm. no longa “Consórcio de intrigas”(1980), de Miguel Borges. Fez assistência de produção nos filmes “Feitiço do Rio”(Blame it on Rio), de Stanley Donen, e “O Cavalinho Azul”, de Eduardo Escorel. Foi assistente de direção e casting dos filmes “A floresta das esmeraldas” (The Emerald Forrest ), de John Boorman, “Selva Viva” (Where the River Runs Black ), de Cristopher Caine, e “Running Out of Luck”, de Julian Temple. Voltando ao cenário nacional foi diretor de produção de “Ele, o Boto” de Walter Lima Jr., “Leila Diniz”, do Bigode/Luiz Carlos Lacerda e; Faca de dois gumes e Todos os corações do mundo, ambos de Murilo Salles.

A partir de 1995 passou a se dedicar quase que exclusivamente à função de produtor executivo, em filmes como “O guarani”, de Norma Bengell, “O que é isso companheiro?”, de Bruno Barreto, “O toque do Oboé”, de Cláudio MacDowell, “For all – O trampolim da Vitória”, de Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz, “O viajante”, de Paulo Cezar Saraceni, Bossa Nova, de Bruno Barreto, “Tainá – Uma aventura na Amazônia”, de Sérgio Bloch, “Minha vida em suas mãos”, de José Antonio Garcia, e “Amélia”, de Ana Carolina.   Como diretor, realizou o curta-metragem “Diálogo de Todo Dia” e a segunda unidade dos longas “O que é isso companheiro?” (1997) e “Bossa Nova” (1999), ambos de Bruno Barreto. Foi também produtor executivo do longa-metragem alemão “Eclipse solar”, de Herbert Brodl, e dos brasileiros “Espelho d’água – Uma viagem pelo rio São Francisco” (2002), de Marcus Vinícius César, “Apolônio Brasil – O campeão da alegria”, de Hugo Carvana, “No meio da rua” (2003), de Antonio Carlos da Fontoura, além da parte brasileira do longa francês “San Antonio”, de Laurent Taouil Tartour. Em 2003 abriu a empresa Focus Films, que coproduziu junto ao cinema francês a comédia “0SS 117 – Rio Me Répond Plus!”, de Michel Hazanavicius. Produziu o primeiro longa do artista brasileiro Alceu Valença “A Luneta do Tempo”, recentemente premiado no 42° Festival de Cinema de Gramado já com participação confirmada em outros Festivais. Ainda inédito ao grande público com previsão nacional para Abril de 2015.

MBTuinho com toda sua experiência qual linguagem que você se identifica mais, Publicidade, Cinema ou Tv?

Tuinho – Eu trabalho com cinema desde 1980, lá atrás os mercados de cinema, tv e publicidade eram separados, quem fazia uma coisa não fazia outra, aos poucos foram aparecendo comerciais entre um longa e outro e aprendi um bocado sobre TV trabalhando em serviços de produção para estrangeiros, em programas gravados pelo Brasil.
Hoje, no Brasil, esses três mercados são muito misturados, muita gente trabalha em dois ou nos três mercados.
Por o cinema ser minha origem profissional , é o que faço com mais gosto. Cinema ainda é a ponta mais complexa e sofisticada do audiovisual…
Mas hoje a TV abre espaços para produtos de qualidade – o que é o grande desafio para esse mercado no Brasil: passar a se sustentar com produtos de qualidade.
A publicidade é um complemento, apesar de diversos exemplos que tenho de comerciais – principalmente estrangeiros – que me trouxeram grande prazer e excelentes aventuras.

MBComo foi seu trabalho em Leila Diniz com o Bigode e Ele o Boto com Walter Lima Jr., -hoje dois clássicos da década de 80 sendo um biográfico sobre a controversa Leila Diniz e o outro baseada na história que traz a lenda amazônica do boto como tema. Os dois filmes feitos em meio a década de 80 onde não haviam recursos e nem espaço para o cinema brasileiro nas salas de exibição. Quais as visíveis transformações do cinema de lá até os tempos atuais dentro de tudo que vem acontecendo no setor audiovisual?

Tuinho – Nos anos 80 se fazia filmes com menos recursos, no Leila Diniz a equipe era pequena e tínhamos uma ou duas locações diferentes todo dia, fui diretor de produção, tinha um assistente de produção e um produtor de platô. O ritmo foi alucinante, e o resultado foi gratificante. E Leila Diniz ainda é um filme atual, pela mensagem e seu ritmo.
Ele o Boto é um filme muito bonito. Fui diretor de produção e assistente de direção só nas filmagens adicionais. Fiz tudo sozinho com o Walter Lima, uma pequena equipe técnica e um elenco fantástico.
São dois filmes dos quais me orgulho, dois ótimos filmes brasileiros. Outro filme dessa fase é o Faca de Dois Gumes, do Murilo Salles, um filme de luxo feito com pouco dinheiro.

As transformações foram muitas, o mercado hoje é bem diferente . Nos anos 80 só existia o mercado de salas de cinema e hoje a distribuição de um filme se dá em diversos formatos. Hoje existem diversos mecanismos de financiamento ao contrário do tempo da EMBRAFILME. Também tem as evoluções tecnológicas do cinema, culminando na digitalização das câmeras, da finalização e das salas de cinema.

MBA Luneta do Tempo, longa de Alceu Valença já premiado em Gramado, considerando todo o processo para criar, o tempo que o filme precisou para ficar pronto , como foi o seu envolvimento e o processo?

Tuinho – Encontrei com o Alceu que me mostrou o projeto depois de estar a cinco anos escrevendo o roteiro. Achei incrível e resolvi produzir o filme para ele, junto com a Yanê (esposa do Alceu). Daí passaram mais dez anos, ele fez diversas versões do roteiro, que foi lapidado como um diamante. A captação de recursos foi muito difícil e demorada, por ser o filme de um músico fazendo a sua primeira aventura na direção de cinema. Acreditamos, insistimos e fizemos o filme com qualidade, respeitando o que o Alceu queria fazer. Também fui o produtor executivo.
As filmagens foram entre o agreste e o sertão pernambucanos. Foi muito bonito, tivemos locações incríveis. Na equipe haviam cariocas, pernambucanos, mineiros, baianos e paulistas. Foi uma produção aonde buscamos os profissionais disponíveis que encaixassem nos anseios artísticos do Alceu. Também demoramos para finalizar, mas o resultado é muito bom, é um filme surpreendente.

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MBComo foi a experiência de trabalhar com Alceu Valença estreando na direção, em um filme onde tem como tema o regionalismo de Pernambuco ao que há de mais brasileiro e um pouco auto biográfico de Alceu, sertão, cordel comparando com a sua experiência no cinema alemão e francês

Tuinho – Como diretor o Alceu (que também é o roteirista) tomou a frente e conduziu todo o processo de filmagem, ele chegou a me surpreender com decisões e ideias criativas de última hora para facilitar a vida da produção; como numa vez em que amanheceu chovendo no agreste – fato totalmente inesperado para o período, eu lhe disse: Alceu parece que vamos perder o dia de filmagem, ele respondeu que colocaria os cangaceiros cantando uma canção de agradecimento pela chuva e podíamos seguir em frente. Assim foi, ele salvou um dia de filmagem para o qual não tínhamos opção, com sensatez e qualidade.
O Alceu tinha bem claro para ele o que queria do filme. O filme é uma opereta nordestina, o Alceu trouxe toda a ambientação da história das memórias da sua infância, esse é o único lado auto biográfico do filme. O filme é uma fábula sobre o Cangaço. É um filme diferente de tudo o que se tem feito.

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MBQual seu próximo projeto pra depois do Luneta?

Tuinho – Tenho projetos bem variados para cinema e TV. Estou em meio a negociações para dois filmes de longa metragem, um pequeno baseado num romance infanto-juvenil e o outro um filme histórico.
Também tenho negociações abertas para produzir seriados para TV aberta e para TV a cabo. Vou adorar divulgar na hora certa.