A Luneta do Tempo, filme escrito e dirigido por ALCEU VALENÇA, concorre ao Kikito do Festival de Cinema de Gramado. Com Irandhir Santos e Hermila Guedes nos papéis de Lampião e Maria Bonita, o filme reúne amor e cangaço, aboiadores, emboladores, violeiros, grupos de forró e cavalo marinho, poesia e circo. A saga revisita estas influências e as destrincha em versos e imagens. Mergulha no inconsciente dos cantadores anônimos, dos cegos arautos de feira, no universo da literatura de Cordel e expõe sua herança cultural, política e poética.
A SAGA – Severo Brilhante (Evair Bahia), o temido braço direito do bando de Lampião (Irandhir Santos) e Maria Bonita (Hermila Guedes), vive em permanente confronto com as volantes comandadas por Antero Tenente pelas caatingas do Nordeste. A mulher do tenente, a fogosa Dona Dodô (Ana Claudia Wanguestel) mantém um relacionamento extraconjugal com o circense argelino Nagib Mazola (Ceceu Valença) enquanto o marido se ocupa em perseguir os cangaceiros nas imediações de São Bento. Depois de uma batalha sangrenta, Nair (Khrystall), a mulher de Severo Brilhante, decide abandonar o cangaço e seguir junto com o circo. Nagib Mazola logo conquista a cangaceira e desta união nasce um menino. Ao mesmo tempo em que Nair dá à luz, nasce também o bebê de Dona Dodô. Embora este venha a ser criado como filho de Antero, São Bento inteira sabe que o verdadeiro pai da criança é o sedutor Mazola. Trinta anos se passam até que os jovens Antero (Charles Theony) e Severo (Ari de Arimateia) se encontrem na cidade. Enquanto Antero torna-se um policial tão implacável quanto seu suposto pai, o sanfoneiro Severo sonha tornar-se o novo Luiz Gonzaga. O conflito é acompanhado pelo desocupado Mateus Encrenqueiro (Helder Vasconcelos) e pelo poeta Severino Castilho (Tito Lívio). Contestador, iconoclasta e boêmio, Severino escreve um cordel sobre o improvável encontro de Maria Bonita e Lampião no paraíso, ao mesmo tempo em que ataca a igreja e propõe soluções para o povo do Nordeste. Após o regresso do Circo liderado pelo velho Mazola (Roberto Lessa), o confronto entre os irmãos se estabelece em pleno picadeiro. Um duelo repleto de magia e música, humor e tragédia, verdades e lendas, capitaneado pelo palhaço Véio Quiabo, interpretado por Alceu Valença. Espectadores e atores não sabem ao certo se sangue, teatro e cangaço são reais ou imaginários. Nos versos do cordel, Lampião avisa: “Pela luneta do tempo, eu serei ressuscitado”. Em algum lugar do paraíso, Virgulino e Maria Bonita celebram a vida.

