
E no 16° Festival do Rio 2014, o longa Sangue Azul, do pernambucano Lírio Ferreira, tão lindo e contemplativo, como o esperado, ganhou na noite da quarta-feira 8, no Armazém 6 do Cais do Porto, o troféu Redentor de Melhor filme de ficção do Festival de Cinema do Rio 2014. O longa recebeu mais duas premiações: melhor direção e ator coadjuvante para Rômulo Braga.
“Estou sempre nervoso. É muito difícil estar num festival e ter reconhecimento”, brincou Lírio Ferreira. “Mas para filmar eu fico muito calmo”. Lírio disse não ter sido nada fácil rodar o filme em Fernando de Noronha. “Foi difícil acreditar e convencer as pessoas do meu sonho. Cinema para mim é sonho, não é objetividade”, disse, ao definir o trabalho como uma “aventura louca, filmar a 500 km do continente”.
“Tenho uma filha que nasceu com nove meses e tenho um filme que nasceu com quase nove anos”, comparou Lírio.
Ele disse que o cinema pernambucano tem ganhado reconhecimento nos últimos anos. “É uma indústria em que Pernambuco sempre teve história. Tem uma geração linda que está vindo agora, inclusive é melhor que a minha.”
A premiação foi apresentada pelos atores Deborah Secco e Leandro Hassum, a cerimônia fez homenagem ao diretor Hugo Carvana, que faleceu no último sábado 4. “Relembrar a sua obra no cinema é celebrar o eterno vagabundo”, disse Deborah Secco ao abrir a cerimônia, fazendo referência a “Vai Trabalhar Vagabundo” (1973), primeiro filme dirigido por Hugo Carvana.
Mesmo com Daniel de Oliveira interpretando o protagonista do filme ganhador do festival, Matheus Fagundes foi o vencedor do prêmio de melhor ator em “Ausência”, desbancando outro concorrente: Othon Bastos. O menino, que vive no filme o personagem Emílio e atuou ao lado de Irandhir Santos, lembra que logo depois de filmar “Ausência”, já emendou duas séries televisivas –”Felizes para Sempre”, de Fernando Meirelles, e “O Homem da Sua Vida”, da HBO. “Não esperava esse prêmio. Procurei não criar muita expectativa.Veio na hora certa. Agora vou aproveitar esse momento. Concorri com atores referência na profissão.”
Já o troféu Redentor de melhor atriz foi dado a Bianca Joy Porte por seu papel em “Prometo Um Dia Deixar Essa Cidade”. Por fim, os premiados por atriz e ator coadjuvante foram Fernanda Rocha, em “O Último Cine Drive-In”, e Rômulo Braga, do pernambucano “Sangue Azul”, respectivamente
Homenagem a Othon
No meio da premiação, Othon Bastos foi homenageado com um troféu especial do júri pelo conjunto da obra. Com 50 anos de profissão, ele recebeu a premiação das mãos da atriz Nanda Costa. “Quando você recebe um prêmio no Brasil, você perde um emprego, porque os diretores acham que vai cobrar o olho da cara [para atuar]. Para mim, foi uma grande surpresa, 62 anos de profissão e 55 de cinema”, disse ele aos risos. O ator também fez uma homenagem a Hugo Carvana. Ele também trabalhou no próximo filme de Carvana, “Curto Circuito”.
Outro longa premiado foi “O Fim e os Meios”, que recebeu o prêmio de melhor roteiro. “Sou um cara com dificuldade em palavras. Sou roteirista porque amo pensar em cinema. O roteiro é pensar no filme que você quer fazer. A história do filme é de esconder a história”, disse o diretor Murilo Salles.
Já na categoria curta-metragem, quem levou o prêmio pelo júri oficial foi “Barqueiro”, de José Menezes e Lucas Justiniano. O filme conta a história de um motorista de Serviço Funerário Municipal que se especializou em remoção de crianças e atende a sua primeira chamada. Na categoria documentário, “À Queima Roupa”, de Theresa Jessouroun, recebeu duas premiações: melhor direção de documentário e melhor documentário.
A seleção deste ano do festival contou com 69 produções: 41 longas e 28 curtas.
Veja todos os vendedores do 16° Festival do Rio 2014:
Mostra competitiva de longas-metragens de ficção:
“Ausência”, de Chico Teixeira (prêmio especial do júri)
“Casa Grande”, de Fellipe Barbosa (melhor longa júri popular)
“Love Film Festival”, de Manuela Dias
“O Fim De Uma Era”, de Bruno Safadi e Ricardo Pretti
“O Fim e os Meios”, de Murilo Salles (melhor roteiro)
“O Outro Lado do Paraíso”, de André Ristum
“Último Cine Drive-in”, de Iberê Carvalho
“Obra”, de Gregório Graziosi (melhor fotografia)
“Prometo um dia deixar essa cidade”, de Daniel Aragão Brasil
“Sangue Azul”, de Lírio Ferreira (melhor longa ficcção, melhor ator coadjuvante e)
Mostra competitiva de longas-metragens de documentário:
“À Queima Roupa”, de Theresa Jessouroun (melhor diretor de documentário e melhor documentário)
“A Vida Privada dos Hipopótamos”, de Maíra Bühler e Matias Mariani (categoria montagem)
“Campo de Jogo”, de Eryk Rocha
“Esse Viver Ninguém me Tira”, de Caco Ciocler
“Favela Gay”, de Rodrigo Felha (melhor documentário júri popular)
“Meia Hora E As Manchetes Que Viram Manchete”, de Angelo Defanti
“My Name is Now, Elza Soares”, de Elizabete Martins Campos
“O Estopim”, de Rodrigo Mac Niven
“Porque Temos Esperança”, de Susanna Lira
“Samba & Jazz”, de Jefferson Mello
Mostra competitiva de curtas-metragens:
“Cine Paissandu: Histórias de uma Geração”, de Christian Jafas
“E o amor foi se tornando cada dia mais distante”, de Alexander de Moraes
“Mater Dolorosa”, de Tamur Aimara e Daniel Caetano
“Cloro”, de Marcelo Grabowsky
“Barqueiro”, de José Menezes e Lucas Justiniano (júri oficial)
“Outono”, de Anna Azevedo
“O Clube”, de Allan Ribeiro
“Edifício Tatuapé Mahal”, de Carolina Markowicz e Fernanda Salloum
“Menino da Gamboa”, de Pedro Perazzo e Rodrigo Luna
“Diário de Novas Lembranças”, de João Pedro Oct
“História Natural”, de Julio Cavani
“The Yellow Generation”, de Daniel Sake
“Kyoto”, de Deborah Viegas
“Loja de Répteis”, de Pedro Severien
“Max Uber”, de Andre Amparo (juri popular)
“Sem Título # 1: Dance of Leitfossil”, de Carlos Adriano
MOSTRA NOVOS RUMOS
Longas-metragens:
“A Revolução do Ano”, de Diogo Faggiano
“Castanha”, de Davi Pretto
“Deserto Azul”, de Eder Santos
“Hamlet”, de Cristiano Burlan
“Permanência”, de Leonardo Lacca
“Seewatchlook o que você vê quando olha o que enxerga?”, de Michel Melamed
“Tudo vai ficar da cor que você quiser”, de Letícia Simões
Curtas-metragens:
“A Deusa Branca”, de Alfeu França – (prêmio especial do júri)
“Indícios 3 – quanto tempo a gente precisa ficar andando no mesmo lugar para dar um passo”, de Dannon Lacerda
“La Llamada”, de Gustavo Vinagre
“O Bom Comportamento”, de Eva Randolph
“O Rei”, de Larissa Figueiredo
“Tenho um dragão que mora comigo”, de Wislan Esmeraldo