38° Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

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De 16 a 29 de outubro, acontece em São Paulo a tradicional Mostra Internacional de Cinema. Durante duas semanas, serão exibidos 330 títulos de variados países e diversas cinematografias em 35 salas de 29 espaços, entre cinemas, espaços culturais e museus espalhados pela capital paulista. A seleção deste ano faz um apanhado do que o cinema contemporâneo mundial está produzindo, além das principais tendências, temáticas, narrativas e estéticas produzidas em todo o mundo. Nesta 38ª edição, a Mostra e a Petrobras renovam uma parceria que já dura treze anos, reafirmando o compromisso da empresa com a produção audiovisual e com a consolidação do evento no calendário cultural do país.
A 38ª Mostra Internacional de Cinema é composta por cinco seções: Competição Novos Diretores – que exibe títulos de diretores que tenham realizado até dois longas (os mais bem votados pelo público serão vistos pelo Júri Internacional, que escolhe posteriormente os que vão receber o Troféu Bandeira Paulista); Perspectiva Internacional – que apresenta um panorama do recente cinema mundial; Retrospectivas – seção com obras de diretores importantes ou mesmo desconhecidos; Apresentações Especiais – exibição de clássicos ou de filmes de diretores que estão sendo homenageados pela Mostra; e Mostra Brasil – títulos brasileiros inéditos em São Paulo.

 

Jia Zhangke recebe o prêmio Leon Cakoff na sessão de estreia do documentário de Walter Salles

“Esse filme começou a germinar há sete anos, quando a Mostra realizou a primeira retrospectiva de Jia Zhangke no Brasil”, falou Renata de Almeida a uma plateia lotada no Cinesesc. Desse encontro, resultou o filme Jia Zhangke, Um Homem de Fenyang, dirigido por Walter Salles, e o livro O Mundo de Jia Zhangke, de Jean-Michel Frodon, organizado por Salles, lançado agora pela Mostra em parceria com a Cosac Naify.

“Esse filme nasce de uma paixão comum”, disse Walter Salles antes da sessão. “Quando vi os filmes do Jia pela primeira vez, tive certeza de que estava frente a um cineasta maior, talvez o que melhor fale do seu tempo. Ele trouxe o cinema novamente para o coração do debate; se quisermos entender a China, temos que passar pelo cinema dele”.

“Encontrei o Walter pela primeira vez em Berlim em 1998, e desde então se estabeleceu essa forte relação”, falou Jia Zhangke. Para ele, a relação que se estabeleceu ao longo do documentário vai muito além de seus filmes. “Ao longo desse percurso em Fenyang, o cinema ficou em segundo plano. O principal foi esse encontro entre amigos, e um reencontro comigo mesmo”.

Após a sessão, sob aplausos, Renata entregou a Jia o prêmio Leon Cakoff. “Agradeço a Mostra de São Paulo e sinto muita falta do Leon”, disse o cineasta, comovido.

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No debate após a sessão, Walter, Jia e Jean-Michel Frodon esclareceram algumas questões sobre o filme e livro. “Me fascinaram esses filmes sobre sonhos não realizados; raras vezes vi personagens retratados com tanta delicadeza”, disse Walter, expondo sua relação com os filmes de Jia. “Esse documentário existe como gesto de um cinéfilo apaixonado, em quem os filmes de Jia continuam a ecoar”, completou.

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Para Frodon, o cinema de Jia Zhangke se situa num lugar muito particular dentro do cinema chinês. “Muitas pessoas tentam enquadrá-lo dentro das gerações do cinema chinês, mas não o vejo dessa maneira. Jia mistura o melhor do cinema moderno com o que acontece socialmente na China”.

“Essa foi a terceira vez que vi o filme. A primeira vi em DVD, no meu escritório em casa, e nos primeiros dez minutos parecia que estava vendo a história de outra pessoa”, comentou Jia sobre o novo documentário. “Aos poucos então, foi acontecendo uma sensação de desarmonia. Eu ia lembrando de coisas do filme, dos lugares que eu tinha passado e que eu já havia esquecido”, completou. “A grande lição foi eu que não consigo me separar do cinema. Da próxima vez que eu pensar em desistir do cinema, vou rever este filme”.

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Abaixo, veja a lista completa dos vencedores da 38ª Mostra de SP:

Troféu Bandeira Paulista 2014 Prêmio do Júri – Melhor Ficção “Entre mundos”, de Feo Aladag (Alemanha)

Prêmio do Júri – Melhor Documentário “A guerra das patentes”, de Hannah Leonie Prinzler (Alemanha)

Prêmio do Público – Melhor Ficção Internacional “Relatos selvagens”, de Damián Szifrón (Argentina, Espanha)

“Do que vem antes”, de Lav Diaz (Filipinas) “Sam”, de Elena Hazanov (Suíça)

Prêmio do Público – Melhor Ficção Brasileiro “A história da eternidade”, de Camilo Cavalcante

Prêmio do Público – Melhor Documentário Internacional “Charles Chaplin: A lenda do século”, de Frédéric Martin (França)

Prêmio do Público – Melhor Documentário Brasileiro “Cássia”, de Paulo Henrique Fontenelle

Prêmio da Crítica – Melhor Filme “Leviatã”, de Andrey Zvyagintsev (Rússia)

Menção Honrosa da Crítica Mostra Victor Erice (Espanha) “A ilha dos milharais”, de George Ovashili (Geórgia) “Retorno a Ítaca”, de Laurent Cantet (França) “O pequeno Quinquin”, de Bruno Dumont (França)

Prêmio ABRACCINE “Casa grande”, de Fellipe Barbosa (Brasil)

Prêmio Associação Autores de Cinema – Melhor Roteiro “A gangue” (Ucrânia), roteiro de Myroslav Slaboshpytskiy

Prêmio da Juventude – Melhor Filme Internacional “Labyrinthus”, de Douglas Boswell (Bélgica, Holanda)

Prêmio da Juventude – Melhor Filme Brasileiro “Encantados”, de Tizuka Yamasaki

Prêmio Humanidade Geraldine Chaplin – Marin Karmitz – Jia Zhangke

http://38.mostra.org